Entretanto, pesquisa publicada na NEJM Evidence mostrou que o apoio por telefone amplia os resultados e quase dobra a taxa de abandono do cigarro em comparação ao uso isolado do vape.
Cigarros eletrônicos podem ajudar adultos a abandonar o cigarro convencional mesmo sem acompanhamento comportamental contínuo. É o que aponta um estudo da Queen Mary University of London, publicado em 27 de outubro na revista científica NEJ M Evidence. A pesquisa recebeu financiamento do National Institute for Health and Care Research (NIHR), do Reino Unido.
Após seis meses, 11,3% dos participantes que receberam um kit de cigarro eletrônico, sem aconselhamento especializado, haviam parado de fumar. Entre aqueles que receberam mensagens automáticas de incentivo do NHS, o sistema público de saúde britânico, a proporção foi de apenas 6,4%.
A diferença corresponde a uma probabilidade relativa 76% maior de abandonar o cigarro no grupo que recebeu o dispositivo. Em termos absolutos, o aumento foi de 4,9 pontos percentuais.
Apoio por telefone amplia os resultados
O melhor desempenho ocorreu entre os participantes que receberam o cigarro eletrônico acompanhado de aconselhamento por telefone. Nesse grupo, 21,1% conseguiram permanecer sem fumar por seis meses, quase o dobro dos 11,3% registrados com o dispositivo isoladamente.
Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre três intervenções: mensagens automáticas por e-mail, kit de cigarro eletrônico ou kit acompanhado de apoio telefônico. Para o grupo com aconselhamento, foram oferecidas cinco sessões ao longo de quatro semanas. A abstinência foi verificada por testes de monóxido de carbono no ar expirado.
Segundo Katie Myers-Smith, autora principal e pesquisadora de Psicologia da Saúde da universidade, os resultados indicam que o acesso ao aconselhamento não precisa ser uma condição para oferecer ajuda ao fumante. Ao mesmo tempo, o benefício adicional justifica facilitar o acesso a esse acompanhamento.
Diferença permanece após um ano
O acompanhamento de 12 meses manteve a mesma ordem de resultados. A abstinência sustentada foi de 16,8% entre os participantes que receberam cigarro eletrônico e aconselhamento, 9% entre aqueles que receberam apenas o dispositivo e 5,4% no grupo das mensagens.
A maioria dos participantes que deixou de fumar com auxílio dos cigarros eletrônicos continuava utilizando os dispositivos um ano depois. Portanto, o resultado avaliado foi o abandono do cigarro convencional, e não necessariamente a interrupção do consumo de nicotina.
Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores: mais de dois terços das pessoas que pararam de fumar no grupo das mensagens também estavam usando cigarros eletrônicos aos seis meses, embora não tivessem recebido os dispositivos como parte da intervenção destinada a esse grupo.
Implicações para os serviços de cessação
Para Hayden McRobbie, professor de Saúde Populacional e colaborador do estudo, os achados são relevantes porque nem todas as pessoas que desejam parar de fumar conseguem ou querem participar de sessões regulares de aconselhamento.
Os autores relacionam os resultados ao programa britânico de distribuição gratuita de kits de vape para fumantes. A iniciativa incentiva o acompanhamento pelos serviços de cessação, mas não o estabelece como requisito.
A conclusão central é que oferecer cigarros eletrônicos pode favorecer o abandono do cigarro mesmo sem apoio especializado contínuo. Quando o aconselhamento telefônico está disponível, as chances de sucesso aumentam.
Fonte: comunicado da Queen Mary University of London, publicado no EurekAlert!.
Estudo: E-Cigarettes with and without Behavioral Support for Smoking Cessation. NEJM Evidence, 27 de outubro de 2026. DOI: 10.1056/EVIDoa2600065.
