Estudo que alegava diagnóstico de câncer mais cedo em consumidores de cigarros eletrônicos é retratado

Publicado:

Tempo de leitura: 2 minutos

Em Novembro de 2022 a mídia brasileira fez uma extensa cobertura sobre uma pesquisa publicada no Jornal Mundial de Oncologia, cuja divulgação no Brasil foi coordenada pela Agência Einstein, ligada ao Hospital Albert Einstein.

A conclusão da pesquisa apontava para um diagnóstico de câncer mais cedo para consumidores de vaporizadores (cigarros eletrônicos) quando comparado aos consumidores de cigarros tradicionais.

O caso foi noticiado pela Revista GalileuO GloboFolha de São PauloMais Goiás (Terra)CBN Curitiba e Unicanews, entre muitos outros, figurando na primeira página de pesquisa do Google na época. A informação também foi noticiada no programa “Encontro com Patrícia Poeta” da Rede Globo do dia 13/12/2022 contando com entrevista com a cardiologista Jaqueline Scholz, presença constante na mídia quando se trata de atacar a Redução de Danos do Tabagismo, mais especificamente os cigarros eletrônicos.

Fizemos a cobertura do caso em 13/12/2022, denunciando que o estudo já se encontrava sob revisão do próprio Jornal Mundial de Oncologia, por dúvidas levantadas à respeito da metodologia e dos dados apresentados, considerando que houve falha grave da Agência Einstein em divulgar informações que já estavam sendo colocadas em dúvidas pelo próprio veículo acadêmico que publicou a pesquisa.

Agora, o Jornal Mundial de Oncologia publicou uma retratação oficial, comprovando a baixa qualidade da pesquisa divulgada em seu portal, apontando que os autores falharam em fornecer explicações básicas sobre o trabalho, bem como evidências para questionamentos fundamentais levantados sobre a metodologia utilizada, processamento de dados de origem, análise estatística e confiabilidade das conclusões, entre outros, o que invalida totalmente qualquer conclusão apresentada.

A pesquisa ainda está disponível no mesmo endereço, com a informação “retratado” tanto em seu abstrato (um tipo de “resumo” para artigos científicos) como no documento completo.

Esperamos que essa importante informação receba o mesmo tratamento dado à divulgação do trabalho original em Novembro de 2022, assim podemos combater a percepção equivocada da opinião pública sobre os reais riscos dos cigarros eletrônicos, que prejudica um debate adequado e uma possível regulamentação do comércio dos produtos no Brasil, cuja decisão sobre esse tema ainda está nas mãos da ANVISA, mas que tem sofrido um grande lobby contrário, cujo objetivo parece ser manter o comércio ilegal dos produtos no país.

É inadmissível que informações importantes que podem ter grande impacto na saúde pública sejam divulgadas sem o devido cuidado, com posturas como a da Agência Einstein, ligada ao renomado Hospital Albert Einstein, bem como profissionais como Jaqueline Scholz, que possui um currículo na área da saúde que transmite credibilidade aos receptores de suas mensagens.

Temos testemunhado ações de organizações diversas que constantemente participam da divulgação desse tipo desinformação sobre cigarros eletrônicos, se mostrando desconectadas de uma base científica concreta, o que é obrigatório quando se fala em saúde. Para piorar, a grande mídia tem dado grande espaço a essas narrativas, contribuindo para a divulgação de informações inadequadas e falhando em confirmar fontes.

O Vapor Aqui encaminhou comunicado para cada um dos veículos mencionados nesse artigo e solicitou que notas de correção fossem publicadas. Caso tenhamos respostas, atualizaremos esse texto.

Outros artigos

FDA autoriza marca de sachês de nicotina a alegar menor risco que o cigarro

É a primeira vez que uma marca de sachês de nicotina recebe esse tipo de autorização em qualquer país. A decisão também alimenta o debate regulatório brasileiro, já que a Anvisa conduz atualmente uma consulta pública sobre produtos de nicotina sem combustão.

A população está migrando para uma forma menos nociva de nicotina

Artigo mostra que os adultos norte-americanos estão no meio de uma transição dos cigarros combustíveis para o uso de cigarros eletrônicos, com pouco uso dual. Muitos outros países apresentam transições semelhantes.

Não Entre em Pânico com os Vapes Saborizados

Sally Satel analisa as evidências sobre o uso de vapes entre jovens nos EUA e conclui que os dados não sustentam o pânico: o tabagismo caiu, os sabores não são o principal atrativo para adolescentes, e os vapes podem salvar vidas adultas.

Protegido: Sachês de nicotina: o que são, como funcionam e o que a ciência diz

Pequenos, discretos e sem fumaça. Os sachês de nicotina (também chamados de bolsas de nicotina, em inglês nicotine pouches ou pouches) são uma categoria...

Dia Mundial do Vape e Dia Mundial Sem Tabaco: Um novo símbolo para a Redução de Danos

Símbolo universal para representar a estratégia de Redução de Danos do Tabagismo foi criado de forma independente por consumidores e é lançado em celebração às duas datas.

A Inglaterra quer acabar com o cigarro, mas não com a nicotina

O Reino Unido aprovou recentemente uma das políticas mais ambiciosas de controle do tabagismo já adotadas no mundo. A nova legislação, conhecida como Tobacco...

Newsletter

- Receba notícias em seu email

- Não compartilhamos emails com terceiros

- Cancele quando quiser

Últimas notícias

Estudo confirma (novamente) que vapes com nicotina são a forma mais eficaz para se parar de fumar

Revisão científica mostra que cigarros eletrônicos com nicotina são mais eficazes para parar de fumar do que terapias tradicionais, reforçando o papel da redução de danos nas políticas de saúde pública.

Uma lição sobre regulação vs. proibição vem de um lugar inesperado: as prisões de Oklahoma

Proibição do tabaco em prisões de Oklahoma gerou mercado ilegal e violência. Estado passou a permitir vapes e nicotina regulada, mostrando que regular controla melhor do que proibir.

Estudo brasileiro que associava vape ao câncer é retratado e gera constrangimento acadêmico internacional

Retratação ocorreu após críticas de especialistas internacionais que apontaram falhas metodológicas e interpretações questionáveis dos dados.

O FMI reconhece: impostos sobre nicotina devem refletir o risco real de cada produto

Um artigo do Fundo Monetário Internacional afirma que impostos sobre produtos nocivos devem refletir o grau de dano que causam. No caso da nicotina, isso significa tributar alternativas de menor risco — como vape, tabaco aquecido e sachês de nicotina — abaixo do cigarro, preservando a diferença de preço que incentiva fumantes a migrar para opções menos nocivas.

Brasil está perdendo a batalha contra o tabagismo

Brasil tinha menos fumantes que a Nova Zelândia em 2011. Hoje tem 11,6% e vê alta. A NZ caiu para 6,8% após adotar redução de danos e regulação de alternativas para o consumo de nicotina com risco reduzido.