É possível ter overdose de nicotina?

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Apesar de não ser obrigatório, a nicotina está presente nos líquidos para vaporizadores e funciona como uma terapia de reposição, da mesma forma que adesivos ou gomas de mascar, que são vendidos em farmácias e indicados para parar de fumar, pois entregam nicotina de uma forma muito menos prejudicial do que através dos cigarros.

O problema está na combustão, consumir nicotina por si só não oferece grandes malefícios à saúde, portanto é relativamente seguro absorvê-la através de sistemas como adesivos para a pele ou gomas de mascar.

Porém, o vaping vai além, pois diferente destes métodos tradicionais, imita também o ato de tragar e soltar “fumaça”, por isso diversas pesquisas concluíram que os vaporizadores possuem muito mais eficácia no auxílio para parar de fumar em comparação com os produtos vendidos nas farmácias.

Mas será que é possível ter uma overdose de nicotina através do vaping? E esta overdose pode ser fatal?

Dose mortal de nicotina

Existem informações contraditórias à respeito da dose de nicotina necessária para matar uma pessoa.

Pode parecer estranho, mas não sabemos exatamente qual é a dose mortal de nicotina e para piorar, o que sabemos está errado.

O famoso CDC – Center for Disease and Control, órgão máximo de pesquisa sobre saúde dos Estados Unidos, alerta que a dose média necessária para matar um ser humano é de apenas 60 mg, valor adotado no mundo como sendo a base de todos os alertas em relação à toxicidade da substância.

Mas por incrível que pareça, essa referência de 60 mg de nicotina é de 1933, de um farmacologista de Vienna chamado Rudolf Kobert, cujo relatório cita experimentos feitos em pesquisadores de 1850, que testaram em si mesmos o consumo de nicotina pura com vários efeitos colaterais e 50 anos mais tarde, o Sr. Kobert calculou erroneamente a dose fatal estimada e criou uma referência que é usada até hoje.

Estudos mais recentes mostram que é preciso consumir muito mais, já que casos de overdose mortal de nicotina são extremamente raros e existem casos documentados de ingestão muito maior sem fatalidades. Isso levou pesquisadores a afirmar que é preciso de uma dose de 500 mg a 1000 mg para efetivamente causar a morte de um adulto.

Outra questão debatida é que é virtualmente impossível morrer por consumo de nicotina, pois nesta quantidade ela teria que ser consumida por via oral e a reação do organismo nestes casos é sempre causar vômitos, o que impediria que ela fosse efetivamente absorvida.

Overdose de nicotina

Apesar de dificilmente ser letal, uma overdose pode ocorrer e trazer reações desagradáveis.

Mesmo que a dose fatal de nicotina seja rara, a overdose da substância é possível, já que uma pessoa pode utilizar várias fontes de consumo ao mesmo tempo, fumando e ao mesmo tempo usando adesivos e gomas de mascar ou quando utiliza vários adesivos de nicotina ao mesmo tempo.

Não são incomuns relatos de pessoas que passaram mal ao utilizar um adesivo de nicotina e descobriram que haviam esquecido de retirar o anterior, recebendo uma dose dupla.

Overdose de nicotina no vaping até 2017

Com a invenção dos vaporizadores em 2003, o consumo inicial de nicotina nos líquidos variava de 0 mg (sem nicotina) até 36 mg, com valores intermediários de 12 mg, 16 mg, 18 mg e 24 mg.

Nesta época era utilizada apenas o tipo de nicotina Freebase, a mesma usada nos cigarros atualmente. Os aparelhos possuíam baixa potência e pouca capacidade de vaporização e a entrega efetiva de nicotina no organismo era baixa quando comparada com a dos cigarros.

Devemos lembrar que existe uma grande diferença entre a concentração de nicotina informada no frasco do líquido e a quantidade de nicotina efetivamente absorvida pelo organismo.

A título de comparação, os cigarros no Brasil possuem por lei o limite máximo de 1 mg por bastão, porém isso é relativo à quantidade de nicotina na fumaça. No produto em si, temos mais de 12 mg brutos por bastão, portanto mais de 200 mg em um maço.

Se tudo isso fosse absorvido, overdoses e até doses fatais poderiam ser comuns. Porém na prática, um cigarro no Brasil com 12 mg brutos consegue transportar 1 mg na fumaça e o organismo absorve efetivamente valores entre 20 ng/ml (nanogramas por mililitros ou 0.00002 mg) e 35 ng/ml (0.000035 mg), o que pode parecer pouco, mas já é bastante.

Com o passar do tempo os equipamentos começaram a ficar mais potentes e a vaporizar uma quantidade maior de líquido, obrigando a concentração de nicotina oferecida pelo mercado a diminuir, pois a nicotina Freebase é muito alcalina e provoca um forte efeito de arranhar na garganta.

Assim as concentrações de nicotina mais comuns passaram a ser de 3 mg e 6 mg, com um máximo de 9 mg em raros casos. Esta quantidade de nicotina quando absorvida pelo organismo entrega menos de 5 ng/ml no plasma sanguíneo, 80% menos do que nos cigarros, o que torna mais difícil a troca pois não sacia um fumante.

Até 2017 uma overdose no vaping só seria possível da mesma forma que antes de sua invenção, ao se consumir nicotina de várias fontes ao mesmo tempo, ao fumar, utilizar um vaporizador e também combinar com adesivos de nicotina e gomas de mascar.

Overdose no vaping após 2017

2017 foi um ano marcado pelo resgate da nicotina Nicsalt e muita coisa mudou.

A nicotina do tipo Nicsalt ou sais de nicotina é a forma mais natural da substância, presente na planta. Ela foi utilizada nos cigarros até a década de 60, quando a indústria tabagista inventou a Freebase para fazer com que os cigarros entregassem mais nicotina sem precisar aumentar a dose. O tipo Nicsalt nunca havia sido usada no vaping não apenas por sua baixa absorção, mas porque tinha péssima capacidade de ser vaporizada.

Isso tudo mudou com a Pax Labs, uma empresa americana que inventou um método para tornar a Nicsalt facilmente absorvida e vaporizável. Isso deu início a empresa JUUL, que lançou o primeiro vaporizador do tipo POD e revolucionou o vaping, se tornando rapidamente a maior empresa de vaporizadores do mundo.

JUUL – sistema de Pod System com cartuchos

A composição molecular da Nicsalt comercializada pela JUUL a tornou também muito menos alcalina, permitindo seu consumo em concentrações de até 6% ou 60 mg/ml, sem a sensação de arranhar na garganta como a Freebase.

Os aparelhos PODS são pequenos e portáteis, oferecendo uma baixa capacidade de vaporização, mas por utilizar Nicsalt em altas concentrações, conseguem entregar nicotina no plasma sanguíneo em quantidades apenas 25% menores do que nos cigarros, contra 80% a menos na Freebase.

Isso criou um mercado completamente novo com produtos que passaram a ser muito mais aceitos por fumantes, dando maior facilidade na transição do fumo para a vaporização.

Para fumantes, cujo organismo esta acostumado com a nicotina, o consumo destes valores não é problema, porém para pessoas que não fumam, essa quantidade de nicotina pode causar reações adversas.

A falta de regulamentação de vários países em relação ao comércio dos vaporizadores e principalmente a falta de informação sobre os produtos, especialmente em países que optaram por proibir o comércio como é o caso do Brasil, abriu margem para que pessoas não fumantes se tornassem consumidores de líquidos com nicotina Nicsalt, sem saber que estavam absorvendo quantidades próximas dos cigarros convencionais.

Há também casos de consumidores que por ignorância e falta de informação, utilizam líquidos com alta concentração de Nicsalt em aparelhos de grande vaporização, voltados ao uso de nicotina Freebase com valores baixos. Nestes casos uma overdose no vaping é possível.

Líquidos com nicotina do tipo Nicsalt devem ser consumidos apenas em sistemas de baixa capacidade de vaporização, sejam PODS ou equipamentos apropriados e em baixa potência.

Reações adversas da overdose de nicotina

Ao consumir muita nicotina, o corpo tende a reagir em duas etapas: Nos primeiros 15 a 60 minutos, os sintomas são atrelados a efeitos estimulantes como:

  • Excesso de saliva
  • Enjôos
  • Dor de estômago
  • Vômito
  • Perda de apetite
  • Desidratação
  • Irritação nos olhos
  • Dor de cabeça
  • Tontura
  • Tremores
  • Ansiedade e inquietação
  • Confusão
  • Sudorese
  • Tosse
  • Respiração rápida
  • Taquicardia: aumento dos batimentos cardíacos
  • Pressão arterial elevada

Após esta primeira etapa, o corpo começa a receber um efeito desestimulante e depressor, cujos sintomas aparecem após algumas horas, que podem incluir:

  • Baixa pressão arterial
  • Bradicardia: diminuição dos batimentos cardíacos
  • Falta de ar
  • Diarréia
  • Fadiga
  • Fraqueza
  • Palidez

Em casos extremos:

  • Epilepsia
  • Coma
  • Dificuldade em respirar
  • Parada respiratória

Evite uma overdose de nicotina

O ideal é sempre saber o que está fazendo para evitar problemas. Temos muito material para você ter o conhecimento necessário e vaporar com segurança.

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