O vaping e a diabetes

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O que é a diabetes?

A diabetes é uma doença que aflige mais de 425 milhões de pessoas ao redor do mundo, só no Brasil temos quase 8% da população com o diagnóstico da doença o que equivale a mais de 12 milhões e meio de pessoas, ocupando o 4º lugar no ranking de maior número de diagnósticos no planeta.

Ao todo, a doença matou 4 milhões de pessoas em 2017.

É uma doença crônica na qual o organismo não produz insulina ou não consegue empregá-la adequadamente no corpo. A insulina é o hormônio responsável por controlar a quantidade de glicose no sangue. Em suma, o corpo da pessoa com diabetes não consegue lidar com o açúcar que ela consome em qualquer tipo de bebida ou alimento e portanto passa a ter muito açúcar no sangue, exigindo cuidados para o resto da vida, além de uma dieta rígida e medicação.

As principais complicações da diabetes são doenças cardiovasculares, perda da visão, doenças renais e até amputação.

O tema é relevante ao vapor por conta de duas substâncias presentes nos líquidos consumidos. A glicerina e a nicotina.

Infelizmente ainda não existem estudos específicos do impacto do vaping em pessoas com diabetes, o que se sabe ainda é baseado em questões indiretas como o efeito que a nicotina causa como substância em si e normalmente atrelada ao fumo e não especificamente através do vapor, cuja absorção é bem diferente.

A glicerina no vapor

Começando pela glicerina, temos um artigo bastante completo sobre a substância através deste link, mas em resumo, a glicerina possui o poder adoçante equivalente a 60% da sacarose e uma colher de chá representa 27 kcal, praticamente o mesmo que o açúcar, com 4 calorias por grama.

Apesar disso quando consumida ela não eleva os níveis de açúcar no sangue, assim como não alimenta bactérias que causam a cárie. Só não é utilizada em larga escala como adoçante porque adoça menos, obrigando o uso em maior quantidade, o que elevaria o consumo de calorias pois apesar de ter o mesmo poder calórico do açúcar, é 40% menos adoçante.

Não há qualquer comprovação científica, estudo ou caso documentado que faça ligação entre o uso de vaporizadores e aumento de níveis de glicose em pessoas com diabetes. Os testemunhos de consumidores dizem que não há nenhuma alteração, mesmo com acompanhamento dos níveis de glicose antes e após usar cigarros eletrônicos.

A especialista em diabetes Dra. Sue Marshall (que inclusive é portadora de diabetes tipo 1) autora do livro “Diabetes: The Essencial Guide” (Diabetes: O Guia Essencial em tradução livre) declara que os açúcares presentes nos líquidos consumidos nos cigarros eletrônicos são irrelevantes para alterar o nível de glicose no sangue dos diabéticos e inclusive indica os cigarros eletrônicos para pessoas que tenham a doença de qualquer tipo e que não consigam parar de fumar. Confira a entrevista dela ao site “The Blog of E-cigarette Direct”.

Nicotina, potencial perigo

Devemos lembrar que a diabetes oferece um constante stress no corpo. Isso significa que acrescentar qualquer outro tipo de stress é uma má ideia e é por isso que o consumo de nicotina não é recomendado.

Já é sabido que a nicotina, mesmo de forma isolada, altera o ritmo cardíaco e a pressão arterial, o que em diabéticos tem uma gravidade muito maior pois problemas no coração é a principal causa de mortes provocadas pela doença.

Mais uma vez precisamos levar em consideração a redução de danos já que cigarros eletrônicos não foram feitos para ser saudáveis, mas uma alternativa muito menos prejudicial que o fumo. Se não há possibilidade de evitar o consumo de nicotina, é inegável a vantagem em se trocar o cigarro convencional pelo vaping, já que várias pesquisas apontam que os cigarros eletrônicos ajudam a parar de fumar, tendo quase 2 vezes mais sucesso do que as terapias clássicas como adesivos, gomas de mascar e remédios.

Além disso, pela forma como o vaping funciona, é possível diminuir gradativamente a quantidade de nicotina consumida nos líquidos até zerar completamente, retirando um elemento potencialmente nocivo da equação, ficando apenas com o vício mecânico.

Porém continuamos sem ter certeza dos reais riscos, se é que existem, enquanto não houver pesquisas mais aprofundadas na área, o que espero que sejam feitas devido o crescimento do vaping no mundo, o que deve atrair o interesse de cientistas e pesquisadores acerca do assunto.

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