Estudo diferencia os efeitos da nicotina dos danos provocados pela combustão e analisa os riscos de cigarros, vapes, tabaco aquecido e sachês de nicotina
Uma revisão científica publicada em 2026 na revista Klinická onkologie reforça que o principal risco de câncer associado ao cigarro está na fumaça produzida pela queima do tabaco. A nicotina causa dependência, mas não é considerada cancerígena.
O estudo foi elaborado pelas pesquisadoras Alexandra Pánková, Kamila Zvolská e Eva Králíková. As autoras analisaram pesquisas sobre cigarros convencionais, terapias de reposição de nicotina, cigarros eletrônicos, sachês de nicotina, snus e produtos de tabaco aquecido.
Segundo a revisão, o tabagismo está relacionado a cerca de 25% a 30% das doenças oncológicas. O câncer de pulmão é a consequência mais conhecida, porém os danos também atingem órgãos como boca, garganta, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, rins e bexiga.
Fumaça reúne milhares de substâncias químicas
Quando o cigarro é aceso, a combustão libera uma mistura de gases e partículas tóxicas. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos informa que a fumaça do tabaco contém mais de 7 mil substâncias químicas. Pelo menos 250 são prejudiciais à saúde e 69 podem causar câncer.
Entre essas substâncias estão arsênio, benzeno, formaldeído, cádmio e nitrosaminas específicas do tabaco. A inalação frequente desses compostos explica grande parte do risco provocado pelo cigarro.
A revisão chama atenção para uma confusão comum. Muitas pessoas atribuem à nicotina todos os danos causados pelo tabagismo. Na prática, ela mantém a dependência e leva o fumante a continuar exposto à fumaça. O câncer está ligado principalmente às substâncias tóxicas e cancerígenas liberadas durante a queima do tabaco.
Nicotina causa dependência, não câncer
As autoras afirmam que a nicotina não é cancerígena. A mesma posição é adotada por instituições como a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer e autoridades de saúde dos Estados Unidos e do Reino Unido.
A nicotina age no cérebro e pode causar forte dependência. Por isso, seu consumo não é indicado para pessoas que não fumam, principalmente crianças, adolescentes e jovens.
A diferença entre dependência e câncer também explica o uso da nicotina em tratamentos para parar de fumar. Adesivos, gomas e outros medicamentos fornecem doses controladas da substância sem expor o paciente à fumaça do cigarro.
Forma de consumo muda o nível de risco
A revisão mostra que os produtos de nicotina apresentam riscos diferentes. Os principais fatores são a presença de tabaco, o aquecimento e a combustão.
Os cigarros convencionais ocupam o nível mais alto de risco porque queimam tabaco e produzem fumaça. Os produtos de tabaco aquecido não provocam a mesma combustão do cigarro, porém contêm folha de tabaco.
Os cigarros eletrônicos aquecem um líquido para formar o aerossol inalado pelo usuário. Como não queimam tabaco, reduzem a exposição a muitas das substâncias encontradas na fumaça do cigarro.
Segundo a Cancer Research UK, os cigarros eletrônicos apresentam níveis muito menores de substâncias tóxicas do que os cigarros convencionais. A instituição afirma que eles são muito menos prejudiciais do que fumar e podem ajudar adultos fumantes a abandonar o cigarro.
Sachês não contêm tabaco nem produzem fumaça
Os sachês de nicotina são colocados entre o lábio e a gengiva. Eles não contêm folha de tabaco e não precisam ser aquecidos. Dessa forma, não produzem fumaça nem expõem o usuário às substâncias geradas pela combustão. De acordo com a revisão, os sachês estão entre as formas de nicotina com menor exposição a compostos tóxicos.
Parar de fumar melhora o tratamento do câncer
O estudo defende que o tratamento da dependência do tabaco faça parte do atendimento oncológico. Abandonar o cigarro após o diagnóstico pode melhorar a cicatrização, aumentar a resposta ao tratamento e reduzir o risco de complicações.
O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos informa que, em alguns tipos de câncer, parar de fumar no momento do diagnóstico pode reduzir entre 30% e 40% o risco de morte. A interrupção também diminui a possibilidade de retorno da doença e de desenvolvimento de um segundo tumor.
A principal mensagem da revisão é clara. A nicotina causa dependência, enquanto a fumaça da combustão concentra o maior risco de câncer. Para quem fuma, abandonar
