Dados publicados no Beehive.govt.nz, site oficial do governo neozelandês, mostram que o volume comercializado no país diminuiu dois terços desde 2010. Autoridades ampliaram a fiscalização e o apoio às pessoas que desejam parar de fumar.
A venda legal de cigarros e outros produtos de tabaco caiu mais de 20% na Nova Zelândia em 2025, na comparação com o ano anterior. Os dados foram divulgados em 21 de agosto no Beehive.govt.nz, site oficial do governo da Nova Zelândia.
Segundo o levantamento, o volume de tabaco comercializado no país diminuiu mais da metade na última década. Em relação a 2010, a queda chega a aproximadamente dois terços, enquanto o número de cigarros vendidos por habitante recuou quase 80%.
Para a ministra associada da Saúde, Casey Costello, os números acompanham a redução de longo prazo das taxas de tabagismo. Ela alertou, porém, que a queda mais acelerada das vendas oficiais nos últimos anos pode estar parcialmente relacionada ao crescimento do mercado clandestino.
Isso significa que nem todo o recuo registrado representa necessariamente pessoas deixando de fumar. Parte da demanda pode ter migrado para cigarros contrabandeados ou vendidos fora dos canais autorizados, que não aparecem nas estatísticas oficiais.
“Seria ótimo se isso refletisse uma redução correspondente nas taxas de tabagismo, mas é provável que também esteja relacionado à disponibilidade de cigarros no mercado ilegal”, afirmou Costello.
Mercado ilegal desafia políticas de saúde
Na avaliação do governo, a oferta de cigarros clandestinos mais baratos pode enfraquecer medidas como impostos, controle dos pontos de venda e restrições comerciais. Também dificulta o incentivo à cessação ou à substituição do cigarro combustível por alternativas menos prejudiciais.
Para enfrentar o problema, o governo determinou uma atuação conjunta da alfândega, da polícia, do Ministério da Saúde e da Health New Zealand, responsável pela administração do sistema público de saúde.
O plano reúne três frentes: combater o comércio ilegal, impedir que adolescentes comecem a fumar e ampliar o apoio aos adultos que desejam abandonar o cigarro.
Em 2025, o país proibiu os cigarros eletrônicos descartáveis, restringiu a exposição desses produtos nos estabelecimentos e aumentou as penalidades para a venda de cigarros e vapes a menores de idade. As mudanças foram acompanhadas por uma expansão das ações de fiscalização.
Entre julho de 2025 e junho de 2026, a Health New Zealand realizou 6.313 visitas de conformidade e 4.922 operações de compra controlada em estabelecimentos que comercializam tabaco e cigarros eletrônicos. Ao todo, foram 11.235 ações, um aumento de 50% em relação ao período anterior.
Nas operações de compra controlada, os agentes verificam se as lojas cumprem as regras, especialmente a proibição de vendas a menores. Até o fim de junho de 2026, foram visitados 3.851 estabelecimentos e realizadas 368 operações voltadas às mudanças adotadas no ano anterior.
O trabalho resultou em 228 cartas de conformidade e na preparação de 157 processos de infração. De acordo com o governo, 91% dos estabelecimentos fiscalizados estavam cumprindo as normas.
Prevenção busca alcançar adolescentes
A Nova Zelândia também mantém programas educativos para evitar que os jovens comecem a fumar. Uma das iniciativas é a parceria da Health New Zealand com os eventos musicais Smokefreerockquest e Smokefree Tangata Beats, renovada até 2028.
Os projetos inserem mensagens de prevenção em apresentações e atividades culturais frequentadas por adolescentes. A participação passou de 550 apresentações em 2005 para 1.010 em 2025 e 1.102 em 2026. No ano passado, os eventos alcançaram mais de 17 mil pessoas.
Segundo Costello, como o tabagismo entre os jovens neozelandeses já está em níveis baixos, a intenção é reforçar a prevenção nos ambientes em que esse público se reúne.
Embora reconheça o papel dos cigarros eletrônicos na cessação entre adultos, a política do país não incentiva seu consumo por pessoas que nunca fumaram, especialmente adolescentes.
Cigarros eletrônicos integram programa para parar de fumar
Para atender os adultos que desejam abandonar o cigarro, a Health New Zealand atualizou suas informações sobre tabagismo e vaping e revisou as diretrizes clínicas nacionais de cessação. O material orienta médicos e outros profissionais de saúde durante o atendimento e facilita o encaminhamento aos serviços de apoio.
Entre as ações disponíveis estão campanhas direcionadas a grupos com taxas mais elevadas de tabagismo, incentivos para abandonar o cigarro e a distribuição de kits de cigarros eletrônicos financiados pelo sistema público de saúde.
Nos primeiros quatro meses de 2026, mais de três quartos das pessoas que utilizaram os kits permaneceram sem fumar por pelo menos quatro semanas, segundo resultados verificados pelos serviços responsáveis pelo acompanhamento. O período representa um indicador inicial e ainda não permite avaliar a manutenção da abstinência no longo prazo.
A Nova Zelândia diferencia os riscos dos cigarros combustíveis e dos cigarros eletrônicos. Os vapes não são considerados isentos de riscos, mas as autoridades de saúde do país afirmam que são significativamente menos prejudiciais do que fumar e podem ajudar adultos a abandonar o cigarro.
“O tabagismo continua sendo uma das causas mais prejudiciais e evitáveis de doenças e mortes prematuras na Nova Zelândia. O vaping é significativamente menos prejudicial do que fumar e pode ser uma ferramenta eficaz de cessação para pessoas que fumam”, declarou Casey Costello.
Fonte: BEEHIVE.GOVT.NZ. Tobacco sales continue to fall. Site oficial do Governo da Nova Zelândia, 21 ago. 2026. Disponível em: https://www.beehive.govt.nz/. Acesso em: 21 ago. 2026.
