Não só de algodão vive um vaper

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O algodão foi o melhor material até o momento que o vaping encontrou para utilizar como pavio e assim poder transportar o líquido dos reservatórios dos atomizadores até a coil para então poder ser vaporizado.

Existem hoje diversas alternativas no mercado em relação ao material e elas diferem muito em qualidade e eficiência, portanto vamos entender melhor como isso funciona.

Nos atomizadores, precisamos de algo que mova o líquido que está no reservatório para a resistência, que ao esquentar irá transformar o líquido em vapor. Este processo deve ser bem controlado para evitar dry-hits, que é aquele gosto de algodão queimado que ocorre quando a resistência esquenta com ele seco.

Não é apenas para evitar o gosto ruim, mas é no dry-hit que o juice é superaquecido e são produzidas substâncias que podem ser nocivas para a saúde.

Vejamos como um atomizador padrão com base RBA funciona, neste caso peguei como exemplo o TFV4 da Smok, mas em síntese pode-se dizer que 99% dos atomizador de hoje trabalham com este princípio.

A base RBA permite o uso de coils. O algodão então é inserido dentro da coil para que ele possa absorver o líquido pelos canais de juice (entradas do líquido) e assim deixar o algodão úmido, impedindo que a coil queime o algodão seco, evitando os famigerados dry-hits.

O termo americano que define o ato de instalar algum material que cumpra essa função é “wicking” que significa “drenagem”. Apesar de ser mais comum, o “wicking” não é feito apenas com algodão. Silica foi muito usada no começo dos cigarros eletrônicos, sendo possível até usar absolutamente nada (wickless, apenas a bobina em contato direto com o líquido) e atualmente temos o algodão japonês (em suas variações de marcas e modelos) e mais recentemente o uso do “rayon”, fibra que está sendo usada com muito sucesso. Veremos cada uma dessas opções a seguir.

Algodão comum

Começamos com o nosso velho amigo algodão comum. Encontrado em farmácias, mercados e até na vendinha da esquina, você provavelmente tenha ele no seu banheiro neste exato instante, vem normalmente com a designação “hidrófilo” que nada mais é do que dizer que ele tem alta ação absorvente de água.

É barato, mas é uma das opções de menor qualidade dentre os materiais que veremos, pois sua absorção a líquidos mais viscosos e a utilização de compostos químicos na fabricação do produto vão interferir na experiência do vapor.

Quem usa este tipo de algodão costumeiramente ferve para limpá-lo de componentes químicos usados no processo de preparação do produto. É normalmente usada água mineral ou filtrada pois água de torneira provavelmente vai contaminar ainda mais o produto.

Silica

A silica, também conhecida como dióxido de silício, é a principal matéria prima para o vidro. Em sua forma de pavio foi o primeiro material a ser utilizado nos ecigs por possuir um ponto de fusão de mais de 1800º (não pega fogo), ideal para a aplicação nos atomizadores.

Certa preocupação foi levantada pela comunidade porque a sílica em sua forma cristalina quanto inalada induz à problemas respiratórios graves como a silicose, mas até o momento a utilização do pavio de silica não trouxe nenhum relato de problemas e é considerada segura.

Pelas propriedades do material, comparado com outras soluções, é a que menos apresenta absorção e para os atomizadores de hoje não é a opção mais adequada, sendo encontrada quase que exclusivamente nos atomizadores antigos.

Algodão Japonês

O algodão japonês difere do convencional por várias razões, desde as sementes utilizadas, o tratamento do solo, método de controle de pestes até a forma da colheita.

Isso se traduz em um produto mais puro, com menos (ou nenhum) químico e que não trará grandes alterações no sabor do vapor.

É razoavelmente fácil de ser encontrado em lojas especializadas ou importado dos EUA e China, pois é muito usado em conjunto com cosméticos.

Várias pessoas ao longo do tempo produziram métodos de enrolar o algodão orgânico para uma melhor experiência no vapor.

Independente da forma como é aplicado, o algodão japonês é atualmente o material mais utilizado pelos vapers, de acesso relativamente fácil e que se traduz no melhor custo/benefício.

Algodão especial

Cotton Bacon, Koh Gen Do, Kendo e outros

Apesar de se tratar também de algodão orgânico, dentro desta categoria existem várias marcas famosas que praticamente tornaram-se um tipo específico e diferenciado de algodão, que prometem qualidade acima de tudo.

A Koh Gen Do por exemplo é uma das “marcas” mais recomendadas pela comunidade, apesar de ser voltado para o uso cosmético e de beleza, é amplamente utilizado no vapor e considerado um dos melhores materiais.

Outras empresas (principalmente americanas) apresentam soluções diferenciadas, fabricando produtos específicos para o vapor, sendo igualmente elogiadas como é o caso da marca VCC (Vapers Choice Cotton) e Cotton Bacon, porém existem inúmeras outras.

Podemos dizer que estes algodões são soluções “gourmet”, mais caras e de difícil acesso aqui no Brasil.

Rayon (ou Raiom)

O Rayon é um tipo especial de fibra artificial feita à partir da celulose e que é considerada mais pura do que a encontrada na natureza.

De acordo com a comunidade, o material apresenta excelente absorção, dura mais do que o algodão orgânico e não altera o sabor do juice, o que costuma acontecer logo após se iniciar o uso do algodão orgânico recém instalado e costuma passar após algumas vaporadas.

Outras características apontadas são um maior “hit” da nicotina na garganta, diminuição do gunk (aquela gosma que fica na bobina principalmente após o uso prolongado de juices doces), é mais tolerante à temperatura, sendo mais difícil de queimar e consequentemente de dar dry-hits, entre outras vantagens.

Apesar de todas essas supostas características, na prática muitos usuários afirmam que há pouca diferença para o algodão orgânico tratando-se mais de questão de gosto.

Algumas preocupações foram levantadas pela presença da Dioxina que é um conservante usado no Rayon, mas o FDA americano declarou que os níveis do produto presente no Rayon são seguros.

Dentre as opções do material, uma das marcas mais utilizadas é o Rayon Cellucotton que vende o produto em uma longa tira enrolada dentro de uma caixa. A empresa vende diversos tamanhos (ou peso), sendo indicados os códigos 44130 (12 metros), 44060 (150 metros), 44043 (1.36 kgs) e 44050 (365 metros).

À titulo de curiosidade, uma caixa com 150 metros na Amazon.com custa US 32,01.

Existe um extenso tópico no fórum ECF que fala muito mais sobre o material e eu sugiro que você visite para mais detalhes clicando aqui.

O rayon parece ser uma excelente promessa de material, mas tudo indica ser experiência relativa ao gosto pessoal, restando que você experimente para chegar à uma conclusão.

Outros produtos

Hemp em fibras, wickless (nada além da coil) e malha de aço inoxidável (praticamente só nos Genesis)

Poucos usados, mas que merecem menção, são materiais (ou métodos) que diferem dos mais comuns, mas ainda podem ser usados, cada um com seus prós e contras:

  • Hemp: A Canabis, planta que produz a maconha, possui diversos outros destinos na indústria e nem de longe serve apenas como droga. A fibra resultante da Canabis lembra o linho, de cor amarelada, possui características muito parecidas com o algodão comum, porém traz uma influência amadeirada ao vaporar, sendo mais indicada para juices atabacados. Apesar de pouco conhecida no Brasil, é bastante utilizada la fora, principalmente nos EUA;
  • Wickless/Nada: simplesmente não usar nada além da coil ou material resistivo mergulhado no juice ou ainda pingar algumas gostas diretamente na bobina e vaporar. Indicado apenas para provar vários sabores em sequência, pois uma vez que não existe material de absorção, o líquido é rapidamente consumido sem deixar traços, permitindo experimentar novos sabores sem a influência do sabor anterior. Porém a praticidade acaba por ai pois como o líquido é consumido muito rapidamente;
  • Malha de aço inoxidável: Utilizada praticamente apenas nos atomizadores modelo genesis, muito pouco utilizada nos drippers pela grande chance de curto, é um tipo de material hoje caindo no esquecimento frente à tantas outras opções melhores. Existiram alguns atomizadores recém lançados que tentaram utilizar este tipo de wick, mas não fizeram muito sucesso;

Materiais que você provavelmente não vai utilizar, mas é sempre bom saber que existem alternativas ao comum.

Conclusão

Ao pesquisar para este artigo deixo aqui algumas referências importantes para complementar com mais informações. Espero que tenham gostado e que o artigo seja útil para você.

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