Trabalho de: Pasquale Caponnetto, Sarah Pratt, Carlo Maria Bellanca, Noemi Maria Vitale, Graziella Chiara Prezzavento, Giusy Rita Maria La Rosa, Yusuff Adebayo Adebisi, Ramin Nilforooshan, Isaac John, Abdulnaser Fakhrou, Antonino Petralia, Maria Salvina Signorelli, Uladzimir Pikirenia, Ines Testoni, Roberto Cavallaro, Marta Bosia e Riccardo Polosa.
Artigo original: Latest developments in the use of e-cigarettes by people with schizophrenia spectrum disorders who smoke: a scoping review. Frontiers in Psychiatry, Seção Addictive Disorders, Volume 17, 2026.
DOI: 10.3389/fpsyt.2026.1811946
Link do artigo: https://www.frontiersin.org/journals/psychiatry/articles/10.3389/fpsyt.2026.1811946/full
Publicado em: 21 de julho de 2026
“Os resultados indicam que intervenções com cigarros eletrônicos são viáveis e bem aceitas por pessoas com TEE e TMG. As evidências iniciais também apontam para redução do consumo de cigarros e menor exposição a substâncias cancerígenas relacionadas ao tabaco.”
Resumo
Contexto: O consumo de tabaco é significativamente mais comum entre pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia (TEE) do que na população geral, o que contribui para taxas mais elevadas de morte prematura por doenças relacionadas ao tabagismo. Embora a prevalência do tabagismo tenha diminuído na população geral, ela permanece alta entre pessoas com TEE, por influência de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Os métodos tradicionais para parar de fumar apresentam resultados muito inferiores nesse grupo em comparação com pessoas sem transtornos psiquiátricos. Esta revisão de escopo teve como objetivo mapear as evidências mais recentes sobre o uso de cigarros eletrônicos por pessoas com TEE ou transtorno mental grave (TMG).
Métodos: Esta revisão de escopo seguiu o modelo População–Conceito–Contexto (PCC) e as diretrizes da extensão PRISMA para revisões de escopo (PRISMA-ScR). Foram pesquisados no PubMed e na EMBASE estudos publicados entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2026, com o objetivo de reunir uma síntese atualizada das evidências sobre o uso de cigarros eletrônicos nessa população vulnerável.
Resultados: Foram incluídos três estudos, apresentados em quatro publicações, com 323 participantes no total. Um mesmo grupo de pesquisa (Pratt et al.) publicou dois trabalhos com desfechos diferentes obtidos da mesma coorte. Os resultados indicam que intervenções com cigarros eletrônicos são viáveis e bem aceitas por pessoas com TEE e TMG. As evidências iniciais também apontam para redução do consumo de cigarros e menor exposição a substâncias cancerígenas relacionadas ao tabaco. No entanto, a manutenção da redução de danos ao longo do tempo parece depender de uma abordagem combinada, na qual o fornecimento dos dispositivos seja acompanhado de apoio comportamental.
Conclusões: As evidências disponíveis ainda são preliminares e baseiam-se em poucos estudos. Por isso, os resultados devem ser interpretados com cautela quando aplicados exclusivamente a pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia, já que três das quatro publicações incluíram grupos mais amplos de pessoas com TMG, dos quais os TEE representavam apenas uma parte. São necessários estudos maiores, com poder estatístico adequado, medidas padronizadas de resultados e acompanhamento mais longo, para determinar se os resultados podem ser generalizados e qual é o impacto dessas intervenções no longo prazo.
